Necrópole Aquática
A madeira range, e o nosso barco de pesca vai de encontro à espessa neblina, naquele mar tenebroso que até então calmo era. Roberto, meu companheiro de pesca, que não era nada cético, como de costume, preparava o arpão e a grande rede, sempre com os ouvidos cobertos de cera, acreditando que dessa forma não cairia nos encantos do canto das sereias. Eu, por outro lado, preferia deixar meus ouvidos livres para serem penetrados pelas melodias de Paganini , que tocava na vitrola dentro da cabine do nosso barco. Excedendo um pouco a velocidade, rasgamos a misteriosa neblina com nosso barco; enquanto isso, Paganini destruía as cordas do violino, virtuosamente ágil, presenteando meus tímpanos com sua sonoridade sombria; um deleite para meus ouvidos - orgasmo sonoro! Eu e meu parceiro de pesca sabíamos dos boatos envolvendo as misteriosas neblinas que, segundo os moradores da região, tal neblina era responsável pelos desaparecimentos de barcos e pescadores, ...