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Necrópole Aquática

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   A madeira range, e o nosso barco de pesca vai de encontro à espessa neblina, naquele mar tenebroso que até então calmo era. Roberto, meu companheiro de pesca, que não era nada cético, como de costume, preparava o arpão e a grande rede, sempre com os ouvidos cobertos de cera, acreditando que dessa forma não cairia nos encantos do canto das sereias. Eu, por outro lado, preferia deixar meus ouvidos livres para serem penetrados pelas melodias de Paganini , que tocava na vitrola dentro da cabine do nosso barco. Excedendo um pouco a velocidade, rasgamos a misteriosa neblina com nosso barco; enquanto isso, Paganini destruía as cordas do violino, virtuosamente ágil, presenteando meus tímpanos com sua sonoridade sombria; um deleite para meus ouvidos - orgasmo sonoro!    Eu e meu parceiro de pesca sabíamos dos boatos envolvendo as misteriosas neblinas que, segundo os moradores da região, tal neblina era responsável pelos desaparecimentos de barcos e pescadores, ...

Buquê De Assombros

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Oscar era seu nome, um ébrio que trançava suas pernas ao caminhar de volta para casa, cambaleando, após uma noite de bebedeira com os amigos. Perto da meia-noite, passando em frente ao extenso muro do cemitério, o homem tropeçava, mas não desistia de seu rumo. A caminhada era longa, e o muro de lamentos, que separava a vida da morte, era sua única companhia até a esquina da rua onde ele vivia. Com o intuito de se distrair durante o percurso ele cantarolava, antigas canções de amor, canções essas que o fizeram lembrar dos bons tempos de juventude, especialmente dos bons momentos que viveu com sua amada Vera, que após anos de casados ele passou a chamá-la carinhosamente de Verinha. Foi durante uma dessas canções, de um antigo cantor que vivia ali mesmo na região, que Oscar se lembrou de que naquele dia, ele e Verinha, completavam trinta e um anos de casados. Desesperado, o homem alimentado pelo álcool se queixava, por ter deixado a pobre Verinha em casa para sair e beber com os amigos na...

Até Que a Morte Não Separe

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  Parte 01: Primeiro Encontro   — Quem é você?! Como entrou na minha casa? — Calma, mocinha… — Não me chame de mocinha!  — Perdoe minha invasão. Eu posso explicar! Mas antes, preciso fazer uma pergunta; dependendo da sua resposta, minha explicação será compreendida rapidamente. Por acaso… você sabe que está morta? — Claro! Como eu poderia não saber? — Ufa! Que ótima notícia! Tentei conversar com outros espíritos que ainda não aceitaram que estão mortos; você não faz ideia de como é difícil dialogar com eles; são tão histéricos! — Pobres coitados. Você fala como se não tivesse surtado também quando descobriu que estava morto. — Claro que surtei, mas, quando eu realmente entendi que eu estava morto, não tive outra opção a não ser aceitar a situação. Gritar não me faria levantar do caixão e ter minha vida de volta.  — Ok! Chega de papo furado e me diz como você entrou na minha casa! — Ex-casa… — Tanto faz! Se você conseguiu entrar, significa que eu posso sair, mas até h...