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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Névoa No Funeral

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  Sobrevivi ao incidente na cidade de Franco da Rocha; um evento bizarro ocorrido na salinha de um velório. O que eu vou relatar aconteceu há pouco mais de uma década, mas eu ainda me lembro, perfeitamente, daquele maldito cheiro de vela que avançava para dentro de minhas narinas; lembro de como meu corpo estremecia de pavor; e hoje em dia, nas noites mais frias, quando o vento uiva sua nefasta sinfonia em minha janela, eu ainda consigo ouvir os gritos de desespero das pessoas que estavam presentes naquele velório; e digo mais, aqui, na escuridão do meu quarto… Oh! Maldição!... Ainda posso ouvir os gemidos dos seres infernais que vieram com a névoa no fatídico dia. Estávamos no velório do Tio Afonso naquele dia, e na outra salinha em frente, a amante do meu tio também estava sendo velada. Eles mantinham um caso extraconjugal às escondidas, e enquanto voltavam de um motel, no meio da noite, sofreram um grave acidente de carro. O Tio Afonso lutou por sua vida até o hospital, mas não ...

Necrópole Aquática

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   A madeira range, e o nosso barco de pesca vai de encontro à espessa neblina, naquele mar tenebroso que até então calmo era. Roberto, meu companheiro de pesca, que não era nada cético, como de costume, preparava o arpão e a grande rede, sempre com os ouvidos cobertos de cera, acreditando que dessa forma não cairia nos encantos do canto das sereias. Eu, por outro lado, preferia deixar meus ouvidos livres para serem penetrados pelas melodias de Paganini , que tocava na vitrola dentro da cabine do nosso barco. Excedendo um pouco a velocidade, rasgamos a misteriosa neblina com nosso barco; enquanto isso, Paganini destruía as cordas do violino, virtuosamente ágil, presenteando meus tímpanos com sua sonoridade sombria; um deleite para meus ouvidos - orgasmo sonoro!    Eu e meu parceiro de pesca sabíamos dos boatos envolvendo as misteriosas neblinas que, segundo os moradores da região, tal neblina era responsável pelos desaparecimentos de barcos e pescadores, ...

Buquê De Assombros

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Oscar era seu nome, um ébrio que trançava suas pernas ao caminhar de volta para casa, cambaleando, após uma noite de bebedeira com os amigos. Perto da meia-noite, passando em frente ao extenso muro do cemitério, o homem tropeçava, mas não desistia de seu rumo. A caminhada era longa, e o muro de lamentos, que separava a vida da morte, era sua única companhia até a esquina da rua onde ele vivia. Com o intuito de se distrair durante o percurso ele cantarolava, antigas canções de amor, canções essas que o fizeram lembrar dos bons tempos de juventude, especialmente dos bons momentos que viveu com sua amada Vera, que após anos de casados ele passou a chamá-la carinhosamente de Verinha. Foi durante uma dessas canções, de um antigo cantor que vivia ali mesmo na região, que Oscar se lembrou de que naquele dia, ele e Verinha, completavam trinta e um anos de casados. Desesperado, o homem alimentado pelo álcool se queixava, por ter deixado a pobre Verinha em casa para sair e beber com os amigos na...