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Mostrando postagens com o rótulo medo

À Meia-Noite Desenterre Meu Cadáver

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                                                            Na madrugada ele acordou Muitíssimo assustado Ao som das gargalhadas infernais Enquanto o seu nome era bradado A fogueira ainda queimava sutilmente; próximo a ela havia uma estaca cravada no chão, mantendo fincada na sua extremidade a cabeça de alguém. Após esfregar os olhos abruptamente, ainda deitado no chão rachado da caatinga, o sujeito, que acordara ao som das gargalhadas mortais, não acreditava no que seus olhos estavam vendo; era a cabeça, decapitada e fixada na estaca, ainda viva, sorrindo e clamando o nome de seu algoz, exibindo seus dentes salivantes que brilhavam úmidos ao clarão das chamas; mas antes de prosseguir, contarei desde o início como tudo aconteceu, e apresentarei três sujeitos, três homens em conflito, especialmente esse desafortunado que carregava consigo u...

Névoa No Funeral

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  Sobrevivi ao incidente na cidade de Franco da Rocha; um evento bizarro ocorrido na salinha de um velório. O que eu vou relatar aconteceu há pouco mais de uma década, mas eu ainda me lembro, perfeitamente, daquele maldito cheiro de vela que avançava para dentro de minhas narinas; lembro de como meu corpo estremecia de pavor; e hoje em dia, nas noites mais frias, quando o vento uiva sua nefasta sinfonia em minha janela, eu ainda consigo ouvir os gritos de desespero das pessoas que estavam presentes naquele velório; e digo mais, aqui, na escuridão do meu quarto… Oh! Maldição!... Ainda posso ouvir os gemidos dos seres infernais que vieram com a névoa no fatídico dia. Estávamos no velório do Tio Afonso naquele dia, e na outra salinha em frente, a amante do meu tio também estava sendo velada. Eles mantinham um caso extraconjugal às escondidas, e enquanto voltavam de um motel, no meio da noite, sofreram um grave acidente de carro. O Tio Afonso lutou por sua vida até o hospital, mas não ...

Desfile Fúnebre - (13 Contos Fúnebres)

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     A terra das covas movimentam-se, abrindo passagem para que os pútridos defuntos retornem à superfície depois de anos de sono lúgubre. A população de Franco da Rocha, cidade interiorana, marcada por inúmeros mistérios, foi avisada sobre uma maldição carnavalesca: jamais festejar o carnaval durante a noite de quarta-feira de cinzas. O problema é que, de geração em geração, a tal lenda foi ficando esquecida, e cá estamos, nesse relato onde a mais fúnebre das festas aconteceu. No centro da cidade, três escolas de samba se preparam para começar o desfile, enquanto que, no cemitério não muito longe dali, defuntos macabros se aprontam para a nefasta folia.    Ninguém poderia imaginar que uma linda noite fresca, de céu tão limpo e repleto de estrelas, reservava um acontecimento amedrontador que faria o mundo virar pelo avesso, trazendo o inferno e seus demônios às ruas para participarem do primeiro dia de Quaresma. Folia na cidade; show de horrores no cem...

O Defunto Que Desceu Pela Chaminé - (13 Contos Fúnebres)

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      Querido Papai Noel. Preciso da sua ajuda. Quero o meu pai de volta. Sei que não fui uma criança exemplar nos últimos meses, e meu pai sempre me avisou do espírito maligno chamado Krampus que pega as crianças más na noite de Natal. Depois que a minha mãe morreu eu ouvi várias vezes que eu estava ficando rebelde; não sei bem o significado disso, mas sei que coisa boa não é. Você sabe, Papai Noel, que sempre fui um bom garoto; sabe dos elogios que sempre recebi dos meus professores, que sou um ótimo aluno, que escrevo muito bem e sou muito criativo; espero que você já tenha lido uma das minhas histórias que enviei nas cartas anteriores. Um dia serei escritor, e vou escrever muitos livros para você dar de presente para todas as crianças que se comportaram bem durante o ano. Acho que você poderia realizar esse meu pedido de trazer meu pai de volta, afinal, o Krampus deveria ter me levado; eu que me comportei mal, e não o meu pai, ele não tem culpa de nada.  ...

Babá Eletrônica - (Selecionado pela BILBBO no concurso de Halloween 2021)

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  “Eu te batizo em nome de Satanás!” - Ao ouvir essa frase vindo da babá eletrônica, narrada por uma voz tenebrosa, Lúcia corre para o quarto do bebê no meio da noite, encontrando o pequenino chorando na penumbra. A fina tela que cobria o berço movia-se formando uma silhueta, contornando algo maligno junto da criança. Um forte cheiro de vela tomava conta daquele lugar, deixando o quarto com uma atmosfera idêntica a de um velório. Os ruídos vêm assombrando Lúcia há três dias, e então, ela lembrou do número de telefone concedido por sua amiga supersticiosa, indicando que sua vizinha, de dons sobrenaturais, estaria disposta a ajudá-la. A vizinha atende o telefone e se assusta aos berros de Lúcia: “Venha, depressa! Um ser maligno está no quarto do bebê!” A vizinha parte para casa de Lúcia acompanhada de uma sensação terrível e maléfica. Lúcia abre a porta, agarra um dos braços da velha e a conduz até o quarto. "Onde está o pai da criança?” - Constrangida, Lúcia responde que teve um ca...

O Berro da Roseira

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Eu desejo, fortemente, que tudo o que presenciei minutos atrás seja uma ilusão causada pelo excesso de bebida. Afinal, como tudo aquilo poderia ser real? E cá estou eu, mais uma vez, conversando comigo mesmo. A atmosfera deste cemitério me incomoda constantemente, mas eu sempre fui um homem cético; eu não acredito, digo… eu não acreditava em assombrações, só que agora, eu tenho lá minhas dúvidas. De uma coisa eu sei: eu nunca, jamais, em hipótese alguma, andarei à noite por esse cemitério novamente. Aquilo era mesmo um bode preto? Oh, com certeza, era! Ele surgiu de repente, em cima do túmulo ao meu lado, raspando um de seus chifres medonhos em meu braço, e eu pude sentir o calor escaldante daquele chifre, quase deixando uma queimadura em minha pele enquanto o bode, oh, criatura das profundezas mórbidas, o bode balançava sua cabeça fazendo movimentos agressivos para cima e para baixo, enquanto liberava de sua boca faíscas flamejantes. Ao redor, eu podia ver a terra das covas movimentan...