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Mostrando postagens de novembro, 2021

Babá Eletrônica - (Selecionado pela BILBBO no concurso de Halloween 2021)

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  “Eu te batizo em nome de Satanás!” - Ao ouvir essa frase vindo da babá eletrônica, narrada por uma voz tenebrosa, Lúcia corre para o quarto do bebê no meio da noite, encontrando o pequenino chorando na penumbra. A fina tela que cobria o berço movia-se formando uma silhueta, contornando algo maligno junto da criança. Um forte cheiro de vela tomava conta daquele lugar, deixando o quarto com uma atmosfera idêntica a de um velório. Os ruídos vêm assombrando Lúcia há três dias, e então, ela lembrou do número de telefone concedido por sua amiga supersticiosa, indicando que sua vizinha, de dons sobrenaturais, estaria disposta a ajudá-la. A vizinha atende o telefone e se assusta aos berros de Lúcia: “Venha, depressa! Um ser maligno está no quarto do bebê!” A vizinha parte para casa de Lúcia acompanhada de uma sensação terrível e maléfica. Lúcia abre a porta, agarra um dos braços da velha e a conduz até o quarto. "Onde está o pai da criança?” - Constrangida, Lúcia responde que teve um ca...

Travessuras ou Travessuras - (13 Contos Fúnebres)

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     É noite de Halloween no cemitério. Abóboras decoram os túmulos e velas roxas derretem nos jazigos. Os defuntos saem de suas sepulturas, e as fúnebres criancinhas, com suas sacolinhas, pedem doces de cova em cova: Gostosuras ou Travessuras? Toda noite de 31 de outubro, à meia-noite, após o coveiro Tavares deixar o cemitério para curtir o famoso “Baile Horripilante dos Idosos”, a festa nefasta se inicia entre os túmulos. A frase “Descanse em Paz”, perpetuada nas lápides, deveria ser substituída para “Descanse em Paz… até a noite de Halloween”, pois nesta data, os falecidos voltam à superfície para uma noite de curtição, dança com esqueletos, bebedeira, histórias assustadoras de como morreram e sinistras orgias. As criancinhas pútridas e inocentes usam máscaras durante essa noite, mesmo sabendo que seus próprios rostos já são assustadores - coitadinhas. Elas vagueiam pelo cemitério, pulando e cantando “Silver Shamrock”, parando em frente as covas e abrindo suas sac...

O Berro da Roseira

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Eu desejo, fortemente, que tudo o que presenciei minutos atrás seja uma ilusão causada pelo excesso de bebida. Afinal, como tudo aquilo poderia ser real? E cá estou eu, mais uma vez, conversando comigo mesmo. A atmosfera deste cemitério me incomoda constantemente, mas eu sempre fui um homem cético; eu não acredito, digo… eu não acreditava em assombrações, só que agora, eu tenho lá minhas dúvidas. De uma coisa eu sei: eu nunca, jamais, em hipótese alguma, andarei à noite por esse cemitério novamente. Aquilo era mesmo um bode preto? Oh, com certeza, era! Ele surgiu de repente, em cima do túmulo ao meu lado, raspando um de seus chifres medonhos em meu braço, e eu pude sentir o calor escaldante daquele chifre, quase deixando uma queimadura em minha pele enquanto o bode, oh, criatura das profundezas mórbidas, o bode balançava sua cabeça fazendo movimentos agressivos para cima e para baixo, enquanto liberava de sua boca faíscas flamejantes. Ao redor, eu podia ver a terra das covas movimentan...

O Caixão na Estrada

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“Aquilo é um caixão?!” — Exclamou Dario, interrompendo a fala de Marisa enquanto caminhavam pela estrada escura e abandonada. Já passava da meia-noite e, o jovem casal, que vinha conversando sobre diversos assuntos, ficaram em silêncio, paralisados, observando o caixão à beira da estrada. O cenário era realmente assustador; a estrada velha que cortava o matagal se estendia numa penumbra aterradora; a noite era fria e silenciosa; graças ao forte vento, podia-se ouvir com exatidão os galhos e as folhas das árvores movimentando-se. O caixão, abandonado à beira da estrada, aterrorizou de vez a noite daquele casal; digo… a última noite daquele jovem casal. Marisa acelerou o passo, e Dario, tremendo de medo, parou para averiguar o macabro caixão. — Vamos, Dario! O que você está fazendo aí? — Suplicou Marisa. — Espera! Quero ver se tem alguém dentro do caixão. — É óbvio que há alguém aí dentro. Vamos embora! — Só mais um minuto — Dario examinava minuciosamente cada detalhe daquele caixote fún...

A Cova é Minha! - (13 Contos Fúnebres)

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-  Ei, você! Sai da minha cova! -  Hã!? Mas o que… -  A cova é minha, vamos, saia! -  Onde estou? Não enxergo nada. -  Anda logo, idiota, pula fora daí! Essa cova é minha! -  Por favor, pode me dizer onde estou e quem é que está falando comigo? -  Já disse, você está na minha cova! E eu sou o dono dela. -  Como assim, na sua cova? Mas que droga, eu não sinto o meu corpo.  -  Como você é burro! Você está morto, palhaço! -  Morto? Eu? Quem é você? Apareça! -  Escuta aqui, hoje eu tô um nojo, não vou perder meu tempo falando com você, vamos, cai fora daí, sai da minha cova, agora! -  Tá, então me ajuda. Acende essa luz! Como que eu saio daqui? -  E eu vou lá saber? Eu já teria te chutado daí faz tempo! Não teria ficado horas aqui embaixo da terra esperando a donzela acordar. -  Horas?! Há quanto tempo estou aqui? -  Tempo o bastante para eu enjoar da sua cara amassada! -  Foi você que me colocou aqui? Mald...

Dance Comigo Até o Fim

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A rua que acompanha o extenso muro do cemitério era o único caminho para chegar em casa depois de um longo dia de trabalho. E foi nessa rua onde tudo começou, enquanto eu caminhava, observando o interior do cemitério, avistando as figuras disformes que se escondiam atrás dos túmulos ou entre as árvores secas que enfrentavam o inverno. Foi assim por duas noites, os espectros atormentados e zombeteiros flertavam comigo durante minha caminhada noturna, mas no terceiro dia decidi parar e observá-los. Sentei-me em um velho banco de madeira que ficava do outro lado da rua, de frente para o muro do cemitério. Naquele horário, perto das onze da noite, ninguém transitava por aquela rua de terra úmida, e eu sozinho, naquela noite fria, tinha como companhia - além daqueles espíritos - apenas o som do vento e dos jarros de flores se quebrando ao caírem dos túmulos. Eu contemplava as sinistras sombras vagando pelo cemitério; algumas delas se atreviam e aproximavam-se do muro, já outras, mais ousada...