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Travessuras ou Travessuras - (13 Contos Fúnebres)

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     É noite de Halloween no cemitério. Abóboras decoram os túmulos e velas roxas derretem nos jazigos. Os defuntos saem de suas sepulturas, e as fúnebres criancinhas, com suas sacolinhas, pedem doces de cova em cova: Gostosuras ou Travessuras? Toda noite de 31 de outubro, à meia-noite, após o coveiro Tavares deixar o cemitério para curtir o famoso “Baile Horripilante dos Idosos”, a festa nefasta se inicia entre os túmulos. A frase “Descanse em Paz”, perpetuada nas lápides, deveria ser substituída para “Descanse em Paz… até a noite de Halloween”, pois nesta data, os falecidos voltam à superfície para uma noite de curtição, dança com esqueletos, bebedeira, histórias assustadoras de como morreram e sinistras orgias. As criancinhas pútridas e inocentes usam máscaras durante essa noite, mesmo sabendo que seus próprios rostos já são assustadores - coitadinhas. Elas vagueiam pelo cemitério, pulando e cantando “Silver Shamrock”, parando em frente as covas e abrindo suas sac...

O Berro da Roseira

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Eu desejo, fortemente, que tudo o que presenciei minutos atrás seja uma ilusão causada pelo excesso de bebida. Afinal, como tudo aquilo poderia ser real? E cá estou eu, mais uma vez, conversando comigo mesmo. A atmosfera deste cemitério me incomoda constantemente, mas eu sempre fui um homem cético; eu não acredito, digo… eu não acreditava em assombrações, só que agora, eu tenho lá minhas dúvidas. De uma coisa eu sei: eu nunca, jamais, em hipótese alguma, andarei à noite por esse cemitério novamente. Aquilo era mesmo um bode preto? Oh, com certeza, era! Ele surgiu de repente, em cima do túmulo ao meu lado, raspando um de seus chifres medonhos em meu braço, e eu pude sentir o calor escaldante daquele chifre, quase deixando uma queimadura em minha pele enquanto o bode, oh, criatura das profundezas mórbidas, o bode balançava sua cabeça fazendo movimentos agressivos para cima e para baixo, enquanto liberava de sua boca faíscas flamejantes. Ao redor, eu podia ver a terra das covas movimentan...

A Cova é Minha! - (13 Contos Fúnebres)

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-  Ei, você! Sai da minha cova! -  Hã!? Mas o que… -  A cova é minha, vamos, saia! -  Onde estou? Não enxergo nada. -  Anda logo, idiota, pula fora daí! Essa cova é minha! -  Por favor, pode me dizer onde estou e quem é que está falando comigo? -  Já disse, você está na minha cova! E eu sou o dono dela. -  Como assim, na sua cova? Mas que droga, eu não sinto o meu corpo.  -  Como você é burro! Você está morto, palhaço! -  Morto? Eu? Quem é você? Apareça! -  Escuta aqui, hoje eu tô um nojo, não vou perder meu tempo falando com você, vamos, cai fora daí, sai da minha cova, agora! -  Tá, então me ajuda. Acende essa luz! Como que eu saio daqui? -  E eu vou lá saber? Eu já teria te chutado daí faz tempo! Não teria ficado horas aqui embaixo da terra esperando a donzela acordar. -  Horas?! Há quanto tempo estou aqui? -  Tempo o bastante para eu enjoar da sua cara amassada! -  Foi você que me colocou aqui? Mald...

Dance Comigo Até o Fim

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A rua que acompanha o extenso muro do cemitério era o único caminho para chegar em casa depois de um longo dia de trabalho. E foi nessa rua onde tudo começou, enquanto eu caminhava, observando o interior do cemitério, avistando as figuras disformes que se escondiam atrás dos túmulos ou entre as árvores secas que enfrentavam o inverno. Foi assim por duas noites, os espectros atormentados e zombeteiros flertavam comigo durante minha caminhada noturna, mas no terceiro dia decidi parar e observá-los. Sentei-me em um velho banco de madeira que ficava do outro lado da rua, de frente para o muro do cemitério. Naquele horário, perto das onze da noite, ninguém transitava por aquela rua de terra úmida, e eu sozinho, naquela noite fria, tinha como companhia - além daqueles espíritos - apenas o som do vento e dos jarros de flores se quebrando ao caírem dos túmulos. Eu contemplava as sinistras sombras vagando pelo cemitério; algumas delas se atreviam e aproximavam-se do muro, já outras, mais ousada...