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Desfile Fúnebre - (13 Contos Fúnebres)

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     A terra das covas movimentam-se, abrindo passagem para que os pútridos defuntos retornem à superfície depois de anos de sono lúgubre. A população de Franco da Rocha, cidade interiorana, marcada por inúmeros mistérios, foi avisada sobre uma maldição carnavalesca: jamais festejar o carnaval durante a noite de quarta-feira de cinzas. O problema é que, de geração em geração, a tal lenda foi ficando esquecida, e cá estamos, nesse relato onde a mais fúnebre das festas aconteceu. No centro da cidade, três escolas de samba se preparam para começar o desfile, enquanto que, no cemitério não muito longe dali, defuntos macabros se aprontam para a nefasta folia.    Ninguém poderia imaginar que uma linda noite fresca, de céu tão limpo e repleto de estrelas, reservava um acontecimento amedrontador que faria o mundo virar pelo avesso, trazendo o inferno e seus demônios às ruas para participarem do primeiro dia de Quaresma. Folia na cidade; show de horrores no cem...

O Defunto Que Desceu Pela Chaminé - (13 Contos Fúnebres)

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      Querido Papai Noel. Preciso da sua ajuda. Quero o meu pai de volta. Sei que não fui uma criança exemplar nos últimos meses, e meu pai sempre me avisou do espírito maligno chamado Krampus que pega as crianças más na noite de Natal. Depois que a minha mãe morreu eu ouvi várias vezes que eu estava ficando rebelde; não sei bem o significado disso, mas sei que coisa boa não é. Você sabe, Papai Noel, que sempre fui um bom garoto; sabe dos elogios que sempre recebi dos meus professores, que sou um ótimo aluno, que escrevo muito bem e sou muito criativo; espero que você já tenha lido uma das minhas histórias que enviei nas cartas anteriores. Um dia serei escritor, e vou escrever muitos livros para você dar de presente para todas as crianças que se comportaram bem durante o ano. Acho que você poderia realizar esse meu pedido de trazer meu pai de volta, afinal, o Krampus deveria ter me levado; eu que me comportei mal, e não o meu pai, ele não tem culpa de nada.  ...

Travessuras ou Travessuras - (13 Contos Fúnebres)

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     É noite de Halloween no cemitério. Abóboras decoram os túmulos e velas roxas derretem nos jazigos. Os defuntos saem de suas sepulturas, e as fúnebres criancinhas, com suas sacolinhas, pedem doces de cova em cova: Gostosuras ou Travessuras? Toda noite de 31 de outubro, à meia-noite, após o coveiro Tavares deixar o cemitério para curtir o famoso “Baile Horripilante dos Idosos”, a festa nefasta se inicia entre os túmulos. A frase “Descanse em Paz”, perpetuada nas lápides, deveria ser substituída para “Descanse em Paz… até a noite de Halloween”, pois nesta data, os falecidos voltam à superfície para uma noite de curtição, dança com esqueletos, bebedeira, histórias assustadoras de como morreram e sinistras orgias. As criancinhas pútridas e inocentes usam máscaras durante essa noite, mesmo sabendo que seus próprios rostos já são assustadores - coitadinhas. Elas vagueiam pelo cemitério, pulando e cantando “Silver Shamrock”, parando em frente as covas e abrindo suas sac...

O Caixão na Estrada

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“Aquilo é um caixão?!” — Exclamou Dario, interrompendo a fala de Marisa enquanto caminhavam pela estrada escura e abandonada. Já passava da meia-noite e, o jovem casal, que vinha conversando sobre diversos assuntos, ficaram em silêncio, paralisados, observando o caixão à beira da estrada. O cenário era realmente assustador; a estrada velha que cortava o matagal se estendia numa penumbra aterradora; a noite era fria e silenciosa; graças ao forte vento, podia-se ouvir com exatidão os galhos e as folhas das árvores movimentando-se. O caixão, abandonado à beira da estrada, aterrorizou de vez a noite daquele casal; digo… a última noite daquele jovem casal. Marisa acelerou o passo, e Dario, tremendo de medo, parou para averiguar o macabro caixão. — Vamos, Dario! O que você está fazendo aí? — Suplicou Marisa. — Espera! Quero ver se tem alguém dentro do caixão. — É óbvio que há alguém aí dentro. Vamos embora! — Só mais um minuto — Dario examinava minuciosamente cada detalhe daquele caixote fún...