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Névoa No Funeral

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  Sobrevivi ao incidente na cidade de Franco da Rocha; um evento bizarro ocorrido na salinha de um velório. O que eu vou relatar aconteceu há pouco mais de uma década, mas eu ainda me lembro, perfeitamente, daquele maldito cheiro de vela que avançava para dentro de minhas narinas; lembro de como meu corpo estremecia de pavor; e hoje em dia, nas noites mais frias, quando o vento uiva sua nefasta sinfonia em minha janela, eu ainda consigo ouvir os gritos de desespero das pessoas que estavam presentes naquele velório; e digo mais, aqui, na escuridão do meu quarto… Oh! Maldição!... Ainda posso ouvir os gemidos dos seres infernais que vieram com a névoa no fatídico dia. Estávamos no velório do Tio Afonso naquele dia, e na outra salinha em frente, a amante do meu tio também estava sendo velada. Eles mantinham um caso extraconjugal às escondidas, e enquanto voltavam de um motel, no meio da noite, sofreram um grave acidente de carro. O Tio Afonso lutou por sua vida até o hospital, mas não ...

Até Que a Morte Não Separe

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  Parte 01: Primeiro Encontro   — Quem é você?! Como entrou na minha casa? — Calma, mocinha… — Não me chame de mocinha!  — Perdoe minha invasão. Eu posso explicar! Mas antes, preciso fazer uma pergunta; dependendo da sua resposta, minha explicação será compreendida rapidamente. Por acaso… você sabe que está morta? — Claro! Como eu poderia não saber? — Ufa! Que ótima notícia! Tentei conversar com outros espíritos que ainda não aceitaram que estão mortos; você não faz ideia de como é difícil dialogar com eles; são tão histéricos! — Pobres coitados. Você fala como se não tivesse surtado também quando descobriu que estava morto. — Claro que surtei, mas, quando eu realmente entendi que eu estava morto, não tive outra opção a não ser aceitar a situação. Gritar não me faria levantar do caixão e ter minha vida de volta.  — Ok! Chega de papo furado e me diz como você entrou na minha casa! — Ex-casa… — Tanto faz! Se você conseguiu entrar, significa que eu posso sair, mas até h...

Dance Comigo Até o Fim

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A rua que acompanha o extenso muro do cemitério era o único caminho para chegar em casa depois de um longo dia de trabalho. E foi nessa rua onde tudo começou, enquanto eu caminhava, observando o interior do cemitério, avistando as figuras disformes que se escondiam atrás dos túmulos ou entre as árvores secas que enfrentavam o inverno. Foi assim por duas noites, os espectros atormentados e zombeteiros flertavam comigo durante minha caminhada noturna, mas no terceiro dia decidi parar e observá-los. Sentei-me em um velho banco de madeira que ficava do outro lado da rua, de frente para o muro do cemitério. Naquele horário, perto das onze da noite, ninguém transitava por aquela rua de terra úmida, e eu sozinho, naquela noite fria, tinha como companhia - além daqueles espíritos - apenas o som do vento e dos jarros de flores se quebrando ao caírem dos túmulos. Eu contemplava as sinistras sombras vagando pelo cemitério; algumas delas se atreviam e aproximavam-se do muro, já outras, mais ousada...